ELA É BONITA E LIGEIRA (A mulher na roda)
Quando se fala em mulher capoerista, é bom que todos
saibam que o termo tenta mostrar, antes de tudo, aquela que luta e concorre,
na roda e na vida. E é isso o que acontece com Lília Benvenuti
Lima, de cognome “Criança”, nascida em Nireró(RJ),
mãe de Rayanna e que durante o “III Curitiba Open de Capoeira”,
no oitavo mês de gestação, recebeu a aclamação
do público quando jogou na roda com seu marido, mestre Burguês,
fazendo todos os movimentos que o corpo, já com o equilibrio comprometido,
lhe permitia. Entre as aulas na Faculdade de Educação
Física, musculação, axé, boxe e Capoeira, seu
cotidiano é sempre enriquecido pelas preciosas lembranças da
infancia. Foi com a mãe, Conceição Salusti Benvenuti,
que aprendeu o duro ofício de ser mulher, pronta para enfrentar qualquer
dificuldade da vida. Na Capoeira, onde lhe ensinaram a conviver com todas
as classes sociais, ela encontra confiança e coragem para solucionar
as questões que se apresentam no dia-a-dia.
Um pouco mais dessa integrante do Grupo Muzenza é revelado na entrevista
que concedeu à Revista Capoeira:
Entrevista:
Você sempre pertenceu ao mesmo grupo? Fale
um pouco sobre isso, Criança.
Eu era do Grupo Raízes D´África, com mestre Batata (Rio
de Janeiro), mas em 1992 entrei para o grupo Muzenza no qual estou até
hoje. Amo a Muzenza. Para mim é o melhor Grupo: aqui aprendi a respirar
o semelhante e a encarar a Capoeira como uma profissão séria.
E o seu mestre?
Uma pessoa hiperdedicada. Respira Capoeira, luta para a arte ser reconhecida
pela sociedade, como um esporte sem marginalização. Se preocupa
sempre em divulgar e Capoeira, fazendo trabalhos sociais, culturais e educativos.
Enfim, uma pessoa maravilhosa – linda por dentro e por fora.
Que trabalho você realiza no momento?
Leciono na sede da Academia Muzenza, em uma Pré-Escola e em outra de
1º Grau.
De quais trabalhos importantes você já
participou?
Encontro Europeu de Capoeira do Grupo Muzenza (Portugal), Encontro Internacional
de Capoeira (Canadá).
Lugares onde divulga a capoeira:
Sempre procurei divulgar a capoeira em todos os lugares em que vou, no Brasil
e no mundo.
Qual a sua filosofia de vida?
Mente e corpo sadios.
Você pode falar um poco de seus ídolos?
O meu maior ídolo é Deus. Mas tenho forte admiração
por pessoas que participaram da minha vida e que acho muito importantes: mestre
Batata, que me ajudou muito capoerísticamente e me incentivou a buscar
conhecimento não só com ele mas com outros grandes mestres;
mestre Cid, que sempre passou para mim humildade e respeito; mestre Suassuna,
pela sua alegria e simpatia dentro e fora de uma roda; mestre Barrão,
pela seriedade, competência e coragem; mestre Burguês, por ser
uma pessoa exigente, por ter dedicado sua vida à Capoeira e estar sempre
ajudando as pessoas a procurarem o caminho de uma vida honesta.
Qual a sua opinião sobre a mulher capoerista?
Ainda percebe algum preconceito com relação ao sexo feminino?
As mulheres que levam a sério a Capoeira, no futuro ultrapassarão
os homens, pois já estão de igual para igual. E acredito que
esse preconceito com as mulheres perante a sociedade já está
sendo superado. Essa é mais uma vitória das mulheres. Por outro
lado, algunas mulheres devem se impor mais na roda, jogando em todos os momentos
e não só em rodas femininas.
Como os capoeiristas homens tratam a mulher na roda:
o jogo é de igual para igual ou ainda prevalece aquela proteção
natural do homem com relação à mulher?
No Muzenza não existe proteção, existe respeito.
Como os movimentos da Capoeira podem ajudar na modelagem
do físico feminino?
Através de muitas repetições e muito treino, você
adquire uma boa performance.
E sua alimentação?
É balanceada com frutas, verduras e muita carne branca, pois levo mais
para o lado natural.
Quais são suas pretensões com relação
ao futuro ?
Ver os capoeristas unidos e acabar com essa bagunça de tanta gente
virar « mestre » da noite para o dia.
Você participa da roda de rua?
Não só de rua como também já fui em rodas nas
favelas e suburbios do Rio de Janeiro que, para mim, é onde tem mais
dendê.
Sua mensagem aos capoeiristas:
Seriedade e trabalhar mais em prol da Capoeira para termos uma sociedade mais
justa.
Instrutora Crianca
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